Finalmente um longo ano terminou deixando seus rastros por todos os cantos. É impossível não ver a metamorfose que ocorreu em longos dias de um só ano. Talvez finalmente a metamorfose tenha ganhado força, o impossível será fazer com que ela pare, volte ao zero, ao ponto de onde começou. Nisso já penso que entre a questão do controle. Todo ser humano vive sob controle, mas aqui eu digo sobre o próprio controle, aquele exercido por ele mesmo, e não por terceiros e instituições controladores de que tanto se fala. O que também seria hipocrisia dizer, já que independente de todas as outras formas de controle, a que mais prezamos é o nosso próprio controle. Não damos um passo sem perder o controle, estamos nos policiando a todo momento para que não cometamos nenhum deslize ou infração social, que nos tire o direito de sermos livres. Se fossemos atender aos nossos desejos reais, creio que não poderia existir o controle, de forma alguma. Resumindo, todas as pessoas são bombas-relógio, sempre com sua contagem regressiva para perder o controle por alguns instantes até que a bomba seja colocada sob repouso novamente, para que tudo possa seguir em ordem, monótono, como sempre esteve. Agora, se formos pensar, é uma antagonia entre a ordem e o caos. Vivemos na ordem desejando o caos, e se isso não acontece, é porque os que preferem a ordem, já perderam seus sentidos, não tem mais forças para reagir, lutar. Finalmente conseguiram se educar para que sempre estejam controladas, para que nunca percam a razão, para que nunca respondam por elas mesmas. Acredito que essa metamorfose seja então necessária. Mesmo apresentando tantos opositores anti-caos desejando que a mudança não aconteça. A pessoa não será a mesma depois disso, e enfim um atrito começará entre a ordem e o caos, sem saber onde isso irá chegar, sem saber quem estará com a razão, ou a falta de. A resolução disso tudo eu não sei dizer, acredito não ter uma resposta formada, assim como não conheço ninguém que a tenha. Talvez isso apenas demonstre como tudo é complexo, muito mais do que por em palavras ou explicações, vai muito além.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
domingo, 12 de dezembro de 2010
About christmas trees.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Jewelry.
*Dedicado a Tati. Uma das mais preciosas jóias que já garimpei.
sábado, 30 de outubro de 2010
Cats.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Empty.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Whispers.
Em um tempo onde gradualmente os volumes foram alterados. Pouco se ouvia do seu próprio interior, sempre com palavras amarradas umas as outras que chegavam, sem anunciarem que estavam vindo. Em todos os lugares eram apenas palavras que lhe causavam um efeito irremediável, efeito que não mais era ouvido só por ele, mas por todos ao redor, e muitas vezes repetidos por eles. O tempo entrava em cena, levando anos e vozes cada vez mais juntos, ligados. Chegou ao ponto em que não mais foram necessárias as palavras, seu próprio interior falava cada vez menos, com uma voz cada vez mais baixa, logo após, tudo o que restava eram as palavras, que permaneceram juntas em sussurros. Sussurros que nunca se calavam, nunca iam embora, nunca deixavam um completo vácuo onde nada era ouvido. Os sussurros viraram parte de quem ele era, deixando a dúvida de como ele era antes deles existirem, como era quando o silêncio era alcançado a qualquer hora, quando sussurros não habitavam seus sonhos, quando ele se olhava no espelho e via nada além de si próprio, nada dito por vozes que ele nem ao menos conseguia localizar.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
About gold and past.
E enfim apenas um será o primeiro. Enquanto o segundo deve apenas se contentar com o pouco de esforço e sorte que lhe faltou para subir uma posição. E assim os dias caminham, cheios de primeiras e segundas posições. Fazemos-nos de primeiro sempre, é o que precisamos para dar escape ao sentimento de que devemos ser os melhores sempre. Hoje já percebo o quanto esperamos pelo primeiro lugar, e quando nos damos conta, ele já virou uma lembrança. Uma macia e dolorosa lembrança que nos pegamos pensando repetidas vezes. Lembranças não voltam, e me pergunto se o primeiro lugar vai se mostrar presente mais algumas vezes. Talvez sim. É a ideia de movimento que existe dentro de nós, sempre estamos buscando uma renovação, uma redenção, um estado que nos proporcione um sentimento melhor que o anterior, e talvez isso seja sim a renovação do primeiro lugar, a renovação do primeiro lugar em nós mesmos e em inúmeros outros que ainda não entraram na corrida. Por outro lado, encaramos a medalha que vem com a primeira posição. É o que mais queremos e nós sabemos disso. Por mais perto que ela esteja não nos permitimos alcançar. Temos medo do contato gelado com o ouro que apenas o primeiro lugar nos proporciona. O mesmo contato gelado que sentimos ao encontro da lembrança, uma memória fria que tentamos reanimar, trazer de volta a pulsão que a mantinha aquecida. Não nos damos conta que ela é quente apenas no momento em que está viva, no momento em que não precisamos fechar os olhos para que ela aconteça novamente, no momento em que a sentimos em nós, somos ela. Após isso é como se existisse uma morte fria, assustadoramente fria, fria o suficiente para nos avisar que ainda existe, nos dias mais quentes, nos momentos mais vivos, sem nos darmos conta de que o momento presente em segundos deixará apenas o frio em que ele se transformou, e nós tentamos mais uma vez doar um pouco do nosso próprio calor para reanimá-lo. E assim acontece, em uma cadeia fria de memórias.