O ar estava parado. O relógio anunciava quatro horas da manhã. A luz estava apagada, e dentro do quarto as questões subiam como vapores quentes, como o calor subindo de um asfalto em brasa. Não era possível saber o que causará essa inquietação naquela noite em particular. Era como uma noite do passado, aliás, era como se o passado surgisse pelas frestas da janela, querendo entender porque ele fora esquecido. Não havia uma resposta satisfatória para isso. O passado foi sendo esquecido conforme o pensamento direcionava-se para frente, o lugar onde mora o pior inimigo do passado. No ar abafado pairava um misto de melancolia e desapontamento, ambos incomodaram agora de forma diferente. Era como uma conexão perdida, que a tanto não era ativada. A questão era se esse ligamento poderia ser refeito, se as estruturas suportariam o efeito do tempo, ou se seria apenas uma lembrança quando as noites quentes tinham outro significado, outro gosto. Talvez a culpa esteja no espelho, ou na eficiência falha do mesmo. Ou até mesmo a questão não seja sobre culpa, não podemos culpar o tempo por estar correndo, esse é o sentido de ele existir. Agora o desejo de pedir ao relógio que adote o sentido anti-horário está fraco. Não tenho certeza se isso é uma coisa positiva, sempre se teve a certeza de que não, agora essa é mais uma das questões que sobem lentamente em vapor até o teto, para se juntar com outras questões que ainda não me dei conta de já estarem lá, me esperando.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Tudo é sobre controle.
Finalmente um longo ano terminou deixando seus rastros por todos os cantos. É impossível não ver a metamorfose que ocorreu em longos dias de um só ano. Talvez finalmente a metamorfose tenha ganhado força, o impossível será fazer com que ela pare, volte ao zero, ao ponto de onde começou. Nisso já penso que entre a questão do controle. Todo ser humano vive sob controle, mas aqui eu digo sobre o próprio controle, aquele exercido por ele mesmo, e não por terceiros e instituições controladores de que tanto se fala. O que também seria hipocrisia dizer, já que independente de todas as outras formas de controle, a que mais prezamos é o nosso próprio controle. Não damos um passo sem perder o controle, estamos nos policiando a todo momento para que não cometamos nenhum deslize ou infração social, que nos tire o direito de sermos livres. Se fossemos atender aos nossos desejos reais, creio que não poderia existir o controle, de forma alguma. Resumindo, todas as pessoas são bombas-relógio, sempre com sua contagem regressiva para perder o controle por alguns instantes até que a bomba seja colocada sob repouso novamente, para que tudo possa seguir em ordem, monótono, como sempre esteve. Agora, se formos pensar, é uma antagonia entre a ordem e o caos. Vivemos na ordem desejando o caos, e se isso não acontece, é porque os que preferem a ordem, já perderam seus sentidos, não tem mais forças para reagir, lutar. Finalmente conseguiram se educar para que sempre estejam controladas, para que nunca percam a razão, para que nunca respondam por elas mesmas. Acredito que essa metamorfose seja então necessária. Mesmo apresentando tantos opositores anti-caos desejando que a mudança não aconteça. A pessoa não será a mesma depois disso, e enfim um atrito começará entre a ordem e o caos, sem saber onde isso irá chegar, sem saber quem estará com a razão, ou a falta de. A resolução disso tudo eu não sei dizer, acredito não ter uma resposta formada, assim como não conheço ninguém que a tenha. Talvez isso apenas demonstre como tudo é complexo, muito mais do que por em palavras ou explicações, vai muito além.
domingo, 12 de dezembro de 2010
About christmas trees.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Jewelry.
*Dedicado a Tati. Uma das mais preciosas jóias que já garimpei.
sábado, 30 de outubro de 2010
Cats.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Empty.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Whispers.
Em um tempo onde gradualmente os volumes foram alterados. Pouco se ouvia do seu próprio interior, sempre com palavras amarradas umas as outras que chegavam, sem anunciarem que estavam vindo. Em todos os lugares eram apenas palavras que lhe causavam um efeito irremediável, efeito que não mais era ouvido só por ele, mas por todos ao redor, e muitas vezes repetidos por eles. O tempo entrava em cena, levando anos e vozes cada vez mais juntos, ligados. Chegou ao ponto em que não mais foram necessárias as palavras, seu próprio interior falava cada vez menos, com uma voz cada vez mais baixa, logo após, tudo o que restava eram as palavras, que permaneceram juntas em sussurros. Sussurros que nunca se calavam, nunca iam embora, nunca deixavam um completo vácuo onde nada era ouvido. Os sussurros viraram parte de quem ele era, deixando a dúvida de como ele era antes deles existirem, como era quando o silêncio era alcançado a qualquer hora, quando sussurros não habitavam seus sonhos, quando ele se olhava no espelho e via nada além de si próprio, nada dito por vozes que ele nem ao menos conseguia localizar.