segunda-feira, 5 de abril de 2010

Lights.

Eu adoro a hora que as luzes começam a serem acesas, mas permaneço sem ligar o interruptor. Os pontos começaram a tomar formas, como aqueles desenhos que temos que ligar em cadernos infantis. Não me contentei em fazer meus próprios desenhos, eu queria mais. Eu queria saber ligar da forma correta, como se ao final disso eu ganhasse algum prêmio. Um prêmio que fizesse sentido, que fosse o significado, que me fizesse perceber que todas as coisas que tanto procuro encontrar respostas, foram solucionadas. Fugir do óbvio, é disso que se trata, o óbvio passa uma sensação que o tempo está passando óbvio demais, como todos esperam e torcem para que passe. Que o tempo passe sem esforço, sem ser notado. Finalmente entendo o porquê de o interruptor não ser aceso, acender é óbvio demais, é a busca desesperada para que tudo o que procuramos, seja mostrado na nossa frente, e os contornos sejam finalmente vistos. É o medo de não sabermos o que brilha quando a luz se vai, a necessidade de estarmos sempre no controle. Por isso, eu adoro a hora que as luzes começam a serem acesas lá fora, aqui dentro, o interruptor permanece desligado.

sábado, 27 de março de 2010

Doubt.

Estranha essa inquietação humana. Eu diria mais, estranha essa inquietação individual humana. Quantas vezes já não fomos surpreendidos por nos pegar pensando longe e coisas que poderiam ser óbvias ou irrelevantes. Mas são exatamente essas coisas que nos puxam para essa inquietação de perguntas sem respostas. Tudo é estranho, tudo. Desde o gesto que você faz quando acorda, até o porque de seu último pensamento do dia. Talvez isso seja carência, ou talvez seja a necessidade de se sentir especial de alguma forma. Mesmo nós em nossa estática em relação ao universo, ficamos por aí, boiando, em uma rota fixa, que nem ao menos entendemos. E ainda sim sentimos a necessidade de querer algo a mais. Algo que de sentido a tudo isso, algo que nos faça perceber o quanto isso é especial, algo que apenas nos de tranquilidade, sem se importar com o primeiro pensamento do dia, e o deitar na cama para mais uma noite de sono.

domingo, 14 de março de 2010

Go walking.

E lá se foi o ônibus, cheio de estranhos em minha volta. Não sabia ao certo como as coisas estavam naquele momento, deixei muita coisa pra trás, com uma promessa de incontáveis outras coisas pra frente. Eu sabia que aquele era um ponto final. Ou eu poderia dizer que era uma vírgula, com a promessa de uma pausa, indicando um retorno futuro. Mas isso seria apenas pra eu me sentir melhor, já que cada uma das opções teria um peso grande. Não poderia dizer que tudo seria apenas como sempre foi. Lembrei dos rostos, todos sorrindo pra mim, um sorriso sincero, um sorriso de compaixão. E sabia que tudo faria sentido quando o ônibus voltasse. Durante a viagem, o céu apareceu, com estrelas tímidas, como eu me senti inúmeras vezes. Não sei dizer se isso também ficou comigo, ou ficou na plataforma, quando entrei naquele ônibus, cheio de significados. Porém, algumas coisas ficaram no ônibus, aquelas coisas que sinto um peso enorme, e que finalmente rolaram.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Note.

O que um ser humano pode sentir em ler apenas 5 linhas. É algo estranho, e talvez um tanto complexo demais. As cinco linhas estavam ali, todas redigidas em uma letra incomum, única, a marca de uma só pessoa. Li algumas vezes, sempre procurando algo que não tinha visto na vez anterior, algum detalhe que eu pensasse que não poderia ter visto das outras vezes. Na verdade era um bilhete, um bilhete com um misto de ordens e lembretes, lógico. Mas naquele momento, após ler algumas vezes, fui tomado por um sentimento também único. Um amor puro que senti poucas vezes em todos os meus dias. O amor por reconhecimento de que aquilo é apenas uma pessoa, uma pessoa que dariamos a nossa vida, tive vontade de chorar, logo após quis rir, logo após queria apenas um abraço, e logo depois veio a solidão. Solidão essa, que me deixa um pouco perturbado, não por estar sozinho, e sim por estar ausente. De não trocar uma palavra quando necessário, ou mesmo na falta de abraços que sentimos quando nos fazemos ausente, ou após perceber isso. Cada dia mais percebo que os dias estão passando rápido demais. Agora eu estou aqui, na metade de um novo dia, a poucas horas eu acordei, e daqui a pouco vou estar acordando de novo. Não posso dizer que isso é uma coisa boa, e nem uma coisa ruim. Talvez nosso papel seja mesmo viver dia após dia com a vontade de congelar o tempo para que nada passe em vão ou despercebido, mas somos apenas mortais, e tudo o que nos resta é viver. Ausentes, ou não.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Secret.

Após algumas horas, já era noite, silenciosa e misteriosa como a mais bela das noites. Um casamento acabara de ocorrer, mas do outro lado da cidade. Não pode-se dizer que isto seja menos importante, no final das contas, a distância também se mostra relativa. O céu estava parcialmente encoberto de nuvens roxas e baixas, como um fino véu que está prestes a ser erguido e revelar um belo segredo. Não tive a oportunidade de descobrir o segredo por completo. As luzes da cidade começaram a passar rápido, cada vez mais rápido, pareciam milhões de estrelas cadentes enfurecidas sedentas por tocar o chão. Para anunciar o segredo, finalmente mostrar a todos os curiosos, qual é o segredo que se esconde acima das nuvens rasas e roxas. Talvez seja o segredo de uma vida, ou talvez seja apenas um segredo que eu não esteja pronto, disposto ou apto a descobrir.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Room.

Um dia a sala foi arrumada, sem pó, com todos os retratos devidamente organizados e sorridentes. Hoje, a sala está estranha. Não digo que esteja suja, essa não é uma sala suja, não tanto, como tantas por aí. Hoje é uma sala desorganizada, com todos os objetos e sorrisos trocados. Paro, sento no tapete, que em uma vida anterior, ao que parece, costumava ser um paraíso estampado. Hoje ele está áspero, como a sala, que a tanto, foi polida e macia. Não consigo levantar, não tenho forças para começar a arrumar e devolver os sorrisos aos respectivos retratos. Tudo está difícil hoje, a sala está falando por ela mesma, ela não quer ser arrumada, agora tudo está cômodo. Deito ao tapete, até ficar completamente esticado, o dia vai anoitecendo, ouço uma cantiga indígena. A sala já perdeu a chance de viver o seu dia, agora ela só precisa esperar a escuridão da noite passar, para que novos raios de luz entrem pela janela e tragam uma nova esperança de finalmente ela encontrar os respectivos retratos, e assim os sorrisos finalmente poderão descansar.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

About Beauty.

Todas as pessoas são bonitas, o que difere é o modo e onde você resolve achar a beleza nelas.